terça-feira, 19 de março de 2013
19 de Março
Desliguei o telefone. A voz que outrora era firme e até autoritária (posso dizê-lo) sai tremula e rouca e até o discurso foge um pouco da coerência. As discussões, às vezes acessas, que partilhámos deram lugar áquela conversa, quase de circunstância - " Como vai ?", " o tempo por aí, com está ? ", " a mãe como está, hoje".
Tem alturas em que me lembro que não foi o melhor pai do mundo, que falhou (mas quem não falha?!?) que gostava que tivesse sido de outra maneira. Mas depois lembro-me que de uma maneira ou de outra esteve sempre lá. E agora ao olhá-lo frágil, sentado nessa cadeira que nunca irá deixar, o meu coração esquece !
" E para lhe dar um beijinho - digo-lhe eu - não me ia esquecer do dia do pai " !
" nem podiam "- respondeu
Pois não pai ! Tenha um dia feliz !
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